Gente como a gente?

Ás vezes fico confusa, ás vezes parece que perco a noção,

que mundo é este? Quem são estas pessoas que vejo todos os dias na televisão?

São gente como a gente? Ou são gente de outra nação?

Num canal há gente vestida de amargura,
há guerras sem nexo,
há gente sem teto,
sem comida,
sem vida…

são gente como a gente? Ou são gente de outra nação?

Há quem as tente ajudar, sim há.
Mas há mais quem as queira desprezar, isso há,
há até quem as queira expulsar.
Expulsar de onde?
Deste mundo de gente decente…
Diz que trazem a guerra na mochila.

Diz que sim, a guerra, o terror, um livro e o retrato da mãezinha.

Depois, noutro canal,
há quem brinque ao faz de conta…
Mamã, se eu fosse ele, seria igual?
Ah… que pergunta tonta!

Claro que não meu filho, ele não é como a gente, é gente de outra nação!

Mudo de canal,
há mais noticias de homens,
Homens que perseguem cem virgens

E lá vão, sem escrúpulos, por um bacanal.

Tchiii.

Isso foi onde? Na Turquia? Na Palestina?
Numa cidade cujo nome nem consigo pronunciar?
Não importa não vêm aqui parar.
Espera, este canal diz que foi numa cidade vizinha,
Aqui ao lado dizem eles,

um lugar próximo deste onde vivemos…

E explodiu gente!
GENTE!
Gente como a gente,
gente de carne e osso…
(não é como aqueles que querem vir para a beira da gente…)
E há gente que segue esta gente,
que os venera e os defende…

aposto que é aquela gente, aquela que quer vir para a beira da gente….

Há de tudo no ecran, tripas e braços pendentes,
gente sem vida, gente com esperança perdida,

e olhares, olhares vazios e impotentes.

Mudo o canal.

Ui, aqui há gente desnuda,
carros vistosos e vidas lustrosas,
são completamente indiferentes
aos problemas daquelas gentes.
Ambição é convicção!

Querem lá saber da solução, ou das guerras ou das gentes…

Mudo outra vez de canal.

Vejo rosas, vejo brilhantes,
vejo mulheres espampanantes,
vejo seios grandes e pequenos vestidos justos,
gritam que são livres, que dormem com os mais robustos.
Que gente é esta? Gente demente?

São gente como a gente? São gente desta nação?

Noutro canal há cenas estranhas,
pessoas estropiadas e deformadas,
não, não vêm da guerra, não passaram minas nem armadilhas,
diz que querem ser iguais a bonecas, a donzelas, a magricelas…

Ah gente doente. Gente como a gente, gente desta nação…

Desligo a televisão.

Não quero saber desta gente, não quero ser desta nação.

Calei as vozes e vim ao jardim largar as letras.
Que tempo é este? Que gente é esta? Que valores são estes? Que vida nos espera?
Que história estamos nós a construir?
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