Moscas, Zombies e Dedos no Nariz ao Volante.

Hoje quero abordar duas temáticas completamente distintas que resolvi misturar no título só para confundir tudo – muahah. Uma delas consiste na capacidade inacreditável dos homens conseguirem passar quantidades infinitas de tempo sem pensar em absoluta e rigorosamente nada de relevante, a outra prende-se no manto de invisibilidade que todos nós achamos que vestimos quando entramos dentro do nosso carro, principalmente quando guiamos a sós.

Começando pelo segundo tópico, passo a explicar: quantas vezes não vos aconteceu estarem descontraidamente a conduzir e, de repente, olharem pelo espelho retrovisor e estar um senhor muito bem vestido e aprumado no seu Mercedes Classe A, de boca escancarada tal qual consulta intensiva no dentista, enquanto boceja sem escrúpulos mostrando até a dentição mais recôndita atrás dos molares?

Quantas vezes ao ultrapassar um veículo olharam de soslaio e conseguiram perceber que o condutor da viatura ultrapassada está descontraidamente com o seu temeroso dedo indicador enfiado dentro do nariz?

Quantas e quantas vezes no meio do trânsito não se aperceberam que o vosso vizinho do carro ao lado está com a cara colada a um dos espelhos, procurando imperfeições pela barba/cabelo/sobrancelhas/língua ou está até numa análise minuciosa de toda a boca, procurando talvez alguma réstia de dignidade a descansar entre os incisivos ou os caninos depois de um almoço vegetariano?

E quantos de nós nunca ouviram aquela voz esganiçada a acompanhar os sons de um rádio distante, muitas vezes até parecendo estar na mesma estação que o vosso?

Pois é meus amigos(as): e agora, quem lança a primeira pedra? Quantos de nós não foram já este individuo(a) do carro ao lado? Quantas vezes nos esquecemos que os nossos próprios carros também não possuem cortinas de privacidade ou mantos de invisibilidade?

Por isso caros leitores(as) esta é uma nota mental generalizada a todos nós, há um mundo fora da nossa janela do carro. Os nossos vidros são de facto transparentes. Acreditem, são mesmo! As pessoas também nos vêem quando as vemos a elas. Mesmo estando sós dentro das nossas viaturas nunca estamos de facto sozinhos.

Feito o comentário principal sigo para o outro tema referido “a capacidade inacreditável dos homens estarem quantidades infinitas de tempo sem pensar em absoluta e rigorosamente nada de relevante“.

Não sei se isto só acontece com os homens que conheço, mas considero-o uma capacidade absolutamente genial, a capacidade de olhar o infinito apenas para isso, olhar o infinito, ou então não… Mas vejamos:

Muitas vezes questiono o meu excelentíssimo marido quando o vejo a olhar muito “pensativamente” para a janela do quarto – “João, em que estás a pensar” – e ele responde -“em nada, estava apenas a ver aquela mosca” – traço ponto traço.

É aquele momento em que nós, mulheres, ficamos perplexas – “será que ele estava a pensar em alguma coisa e não me quis contar?”, “será que está chateado comigo e não quis explicar?”, “será que foi alguma coisa que eu disse, ou alguma coisa que eu fiz?”, “será que o mundo vai acabar e um meteorito vai atingir a nossa vida e ele me vai largar para fugir com outra mulher para aproveitar os últimos minutos que temos até que o dito rebente com a Terra e acabe com a raça humana?”.

Pausa dramática.

Não. Ele não estava mesmo a pensar de todo. É assim uma espécie de superpoder masculino. Quando estão a jogar, estão mesmo só a jogar. Quando estão deitados na cama a olhar para a janela, podem mesmo estar simplesmente apenas deitados na cama a olhar para a janela. Ou isso ou estão a imaginar uma cena fantástica de um apocalipse zombie a mudar a paisagem, a conquistar a vizinhança com lançadores de chamas e rockets mega gigantes, com carros voadores conduzidos por super heroínas sexy que trazem dragões e gigantes na retaguarda e cães genéticamente transformados e dragões outra vez, e, no meio de tudo isto, uma mosca parou no vidro e terminou o fantástico, só ela importa agora, ela que anda por ali a voar no vazio. Suspiro.

Os homens são simples e o imaginário deles é bem mais fantástico do que o nosso. Ás vezes demasiado fantástico, outras apenas simples demais. É assim uma das grandes maravilhas da diferença dos sexos, a diferença de complexidade, e isto meus caros, dava uma tese de um qualquer doutoramento em psicologia da complexidade dos géneros, mas hoje fico-me por aqui.

E já sabem, quando conduzirem não se ridicularizem e antes de se chatearem com os vossos homens simplifiquem tudo ao ato natural de uma mosca a voar no vazio.

Até para a semana*

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