Um ano “do caraças”!

Eu sei, eu sei que já não faz sentido dizer Bom Ano, já não estamos em tempo de Festas, nem em tempo de desejos, balanços ou resoluções de ano novo. Bem sei. Mas hoje deu-me para a introspecção e sabem que mais, 2015 foi um ano “do caraças” por isso ainda vou a tempo de falar sobre ele!

Muitos de vocês estarão a pensar, claro que foi um ano “do caraças” foi o ano em que casaste! Sim, muitos de vocês têm de facto razão, foi o ano em que dei o nó, “pus a corda no pescoço”, assinei o “para sempre”, casei enfim.

E sim essa é a maior razão para 2015 ter sido um ano daqueles que nunca mais esquecerei. Foi o ano em que vivi o dia mais feliz da minha vida junto com a maioria das pessoas que mais amo. Se foi perfeito? Não. Longe disso. Não fiz milhões de coisas que gostava de ter feito, não convidei todas as pessoas que gostava de ter convidado e não tive comigo todas as pessoas que convidei, não tive a minha Lua de Mel de sonho, não consegui executar todas as ideias que tive, não calcei sapatos de princesa, não tinha um vestido da realeza e em todas as horas do dia não consegui agradecer a todas as pessoas, não abracei todas as que queria abraçar, não dancei tanto como desejava dançar, não disse vezes suficientes às pessoas que as amo e o quão vital foi para mim ter cada uma delas ali, comigo, não expressei aos que não estiveram a falta que me fizeram, não vivi coisas que julgava que ía viver e não me lembro de momentos dos quais gostava de me lembrar.

Foi imperfeito. Sim foi. Não foi como nos contos de fadas, não fiz tantas e tantas coisas, não disse tantas outras. E não foi como nos meus sonhos, não, foi muito melhor, foi real! Foi o dia mais feliz da minha vida porque foi imperfeito, foi o dia em que celebrei o amor, o imperfeito, difícil e avassalador amor.

Se pudesse mudar alguma coisa? Não mudaria nada. Por isso é que foi o melhor dia da minha vida até hoje, porque foi único e imperfeito. Não há palavras que verdadeiramente o descrevam. Não há palavras que agradeçam a todos os que ficaram do meu lado, aos que choraram verdadeiramente comigo, aos que sentiram o amor que transpirávamos. Não foi como nos contos de fadas, não, para mim, foi bem mais do que isso.

Digo muitas vezes que o casamento nos abre os olhos para muita coisa, sim abre, mostra-nos que a vida de facto não é perfeita, e que aquele dia também não o será. Mas se fosse perfeito não teria o impacto avassalador que tem e que teve. Como no amor, como na vida! E no final as imperfeições são atropeladas por tudo o que o coração está a sentir e, para ele, para o meu pequenino coração, aquele dia foi mais do que perfeito, foi estúpida, devastadora e surrealmente perfeito! Chorei, ri, chorei de rir, troquei alianças e votos eternos, levei com 5 kg de arroz, andei, corri, sorri, dancei, brinquei, beijei , abracei, sorri outra vez até me doer cada músculo do meu rosto, do meu corpo! Ah doce imperfeição, ah vida imperfeita, ah coração varrido que se satisfaz com tão pouco, para ele basta sentir! E para mim, basta-me estar assim, tão cheia de amor que transbordo para todos os que estão à minha volta. E foi assim que me senti, imperfeita e absurdamente feliz!

Mas 2015 não foi só o ano em que casei. Foi o ano em que voltei para a minha Linda Leiria, e comecei a trabalhar com vista para o Castelo. O ano em que me mudei com o amor da minha vida, em que alugámos a nossa primeira casa em conjunto, o ano em que comprámos pela primeira vez um frigorífico, uma mesa da sala, um roupeiro, um microondas, um aspirador…

O ano em que fechei portas, abri janelas e voltei a fazer planos para o futuro. Foi um ano em que aprendi a virar costas ao que me faz mal, em que percebi (de uma vez por todas) que não podemos agradar a toda a gente e que haverá sempre alguém a apontar-nos o dedo. O ano em que me apercebi realmente que nem tudo pode ser controlado ou planeado  e em que aprendi a lidar com a ansiedade e a dispersar a raiva. Foi um ano em que percebi que tenho mais força do que penso e mais valor do que o que me dou. 2015 foi, de facto, um ano “do caraças”, cheio de tudo!

Foi o ano em que perdi o meu avô. E o ano em que partilhei o dia mais feliz da minha vida com um lutador cheio de planos e vontade de viver e que também foi roubado da vida maravilhosa que tinha pela frente. 2015, quase em desfecho, deu aquele golpe duro como só a vida sabe dar, e levou o David que, com 29 anos, mostrou a todos que nada é certo, e hoje pode ser o melhor dia da tua vida, mas amanhã, pode bem ser o pior ou até o último.

Sim, todos nós sabemos dos velhos clichés, mas há alturas em que verdadeiramente percebemos o seu gélido significado. Não vale a pena dar valor a coisas que se esvaem como o fumo, de um minuto para o outro, temos mesmo de amar como se fosse a última vez, porque não há justiça, não há regras, nem leis que tragam de volta a vida, o ar que respiramos, o amor que sentimos. E no fundo, não somos nada. E ao mesmo tempo somos tudo. Damos importância a coisas ínfimas quando o mais importante que podemos ter é estar vivos e termos a capacidade e o poder de nos amarmos uns aos outros. Cliché? Sim. Verdade? Também.

E este golpe duro que 2015 deixou para o final foi diretamente no estômago! E doeu bem mais do que eu esperava. Nunca vou esquecer o David, nem a energia dele, nem o sorriso, nem a vida que ele transbordava, nunca vou esquecer o melhor dia da minha vida, nem a presença dele lá. Nunca vou perder de vista o olhar azul do meu avô, o exemplo de luta, bondade e humildade que ele me deixou. 2015 foi um ano “do caraças” e nunca o esquecerei, por todas as coisas que me trouxe, e por tantas outras que de mim levou.

Agora, em 2016, gostava de dizer que estou em paz, que assimilei tudo, que caminho segura, mas não, não estou nem segura nem confiante, as resoluções, talvez por ser a primeira vez que as escrevo, escrevias num papel com andorinhas, talvez na esperança que, um dia de cada vez, uma meta de cada vez, consiga voar com elas, realizar todas. 2016 será um ano de viagem (e de viagens espero eu), de paz, de novos rumos, de novas aventuras.

Vem 2016, vem e traz tudo o que tens para mim, traz-me saúde, acalenta-me o amor, cuida dos que mais amo. Se estou preparada? Nunca estamos, e apesar de nada estar certo, quero aproveitar tudo, cada centímetro e segundo de vida. Porque estar aqui a escrever estas palavras é por si só uma bênção!

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